quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Encontros ao luar



Hoje é quarta-feira e fazem poucos dias que cheguei em Londres e pra cada problema que eu resolvo essa cidade faz surgir mais dois, é como lutar contra uma hidra usando espada, as vezes penso que seria melhor se explodisse tudo e construisse uma nova e outras vezes me pergunto o motivo de eu ainda estar aqui e não ter deixado toda essa loucura pra trás.


Meu nome é Caitlyn Lisa, sou Russa e cainita, pertenço ao clã gangrel. Meu mestre é o famoso Arcduque Ivan, o terrivel, que apesar do apelido ele sempre me tratou como parte da familia, meus pais morreram quando eu tinha 10 anos e passei os outras 15 anos sob a tutela de ivan e após esse tempo fui abraçada. Meu propósito sempre foi saciar minha sede de vingança e logo que entendi minha nova condição eu fui ao encontro dos assassinos de meus pais, o crime foi mandado por um ex agente da KGB e hoje uma das cabeças da mafia russa, Rasputin, mas nada disso me impediu de invadir a casa dele e matar a familia dele.


Por causa disso Ivan me mandou para Londres, onde eu deveria estar em segurança mas quando cheguei a cidade estava a beira de um colapso. Apesar das ordens serem de eu ficar em segurança acabei sendo envolvida numa batalha contra uma célula sabá e no meio da confusão o então principe da cidade foi morto, o que foi bom pois ele era realmente um incompetente.


Então veio a eleição para um novo principe e mais uma vez acabei envolvida no meio de uma disputa de poder, pelo menos conheci alguns cainitas confiáveis como Jack um brujah inteligente e belo, e muito competente na arte de explodir e matar, Katarina uma toreadora com um coração enorme, tão grande que me aceitou sob seu teto mas apesar da aparencia ela não é inofensiva, Ana a primógena gangrel, uma mulher linda e envolvente com a qual eu acabei tendo um caso, falando em caso conheci uma tremere Lana, inteligente, bonita e poderosa, ela é timida no começo mas quando pega fogo…
No final, depois de algumas missões envolvendo matar membros poderosos do sabá em caçadas de sangue autorizadas pelo novo principe eleito, Mitras, um cainita muito poderoso que se faz de tolo apenas pra ter vantagem sobre seus oponentes mas ele nunca me enganou, senti seu poder logo na primeira vez que o vi, e ele pareceu simpatizar comigo e com meus métodos o que ocasionou na minha promoção como Harpia.


Eis a ironia, eu fui mandada pra longe da minha pátria, pra ficar em segurança e quieta e acabo me tornando um dos pilares da ordem dessa cidade caótica. Fui apresentada a um mestre espadachim, Shunsui, que com a recomendação do meu senhor Ivan passou a me ensinar uma nova linhagem a ketsueki no ken (espadas de sangue), com a qual ando aprendendo a fortalecer meu espírito.


O ápice foi ontem a noite, quando invadimos uma base sabá e lutamos contra um lasombra extremamente poderoso, não sei como saimos vivos de lá e saber que ainda tem mais duas bases espalhadas em londres me deixa preocupada. Mas até termos a confirmação do local decidi curtir a noite, beber pois a luta me deixou sedenta, sair, tocar um pouco. Quando toco a musica me envolve e me sinto viva, é algo que me motiva a continuar essa existencia amaldiçoada.


A primeira coisa que faço logo de manhã é meditar, conversar com a besta interior e entender sua fúria, deixar o tempo passar e a mente ficar branda, deixar os medos e frustrações de lado e me focar no agora. Praticar meditação logo cedo é a base dos espadas de sangue e depois dela vem meu banho no riacho próximo a casa, apesar de ter água encanada eu ainda prefiro banho no rio, eu me sinto mais próxima da natureza.


Logo que acabo eu alimento Rajar, meu tigre de estimação, salvei ele de dentro da mansão tremere, alimento ele com meu sangue o que o fortalece e ele cuida da minha casinha, uma casa simples de 2 quartos afastada da cidade, não tenho medo dos garou por aqui, eles tem uma simpatia pelo meu clã nessa região, eu inclusive conheci 3 deles e salvei outro dos experimentos tremere no mesmo dia que trouxe Rajar pra casa.


Pego meu Fechar Pontiac GTO conversível - 1970, que ganhei dos caçadores que tentaram matar a katarina, naquele dia eu segui ela e juntas demos um jeito neles, foi a ultima noite que dormi na casa dela. Coloco minha guitarra, uma fender strato vermelha, no banco de trás e me dirijo ao triplo sangue, uma espécie de pub aonde um cainita pode se alimentar sem medo de quebrar a máscara, já toquei algumas vezes no local o que me dá uma grana e facilita a caça.


Dirijo ao som de foo figthers pensando em como seria legal ter um lugar aonde o clã não importasse, aonde os cainitas podiam viver traquilos e se ajudar, ando tendo essa fantasia com frequência, balanço a cabeça para tirar essas ideias de lá, e logo avisto o pub.
Um brujah musculoso, Tony, cuida da porta e quando me vê sempre me comprimenta, acho que fiquei famosa na cidade pelos meus amigos bem variados, passo por uma atentende nosferato chamada Nora que guarda minhas armas, elas são proibidas lá dentro, entro e vou até o bar para perguntar ao Anderson, o barman, se tem espaço pra eu tocar hoje, ele cuida do pub enquanto Michelle, a dona malkaviana do lugar, fica fora se divertindo, ouvi boatos que ela é nifomaníaca, gostava mais quando ela tinha dupla personalidade, pelo menos uma delas era coerente.


Depois de alguns minutos Anderson me diz que eu estou com sorte, hoje uma banda que ia tocar estava desesperada pois perdeu o guitarrista, aparentemente o cara estava devendo dinheiro pras pessoas erradas e perdeu um braço, perguntei com quem eu falava pra me oferecer pra tocar no lugar dele e o barman me indicou o camarim, ela se chama Lyanna _ ele disse _ mas não gosta muito de cainitas.


Estranhei essa frase dele, naquele lugar cheio de cainitas era estranho alguém que não gosta deles continuar frequentando. Enquanto esse enigma me distrai eu vou até o camarim e quando entro no camarim me deparo com um mulher de cabelos negros e olhos cinzentos, a beleza selvagem dela me envolve e eu perco a fala mas ela grita:

_Está perdida? Sei que vocês vampiros se acham donos das cidades mas o camarim é meu agora e não quero uma sanguessuga por aqui.


Selvagem, corajosa e temperamental.




_O Anderson disse que está com problemas pra achar um guitarrista e como estou precisando tocar vim me oferecer.


Sinto a ferocidade dela como uma descarga elétrica no ambiente, ela me olha profundamente tentando entender se eu estava sendo sincera e então fala:


_Olhando melhor acho que já te vi, você toca com o Jonh? Faz parte da banda da Anna?


_Sim, sou nova aqui na cidade, o nome é Caitlyn, você deve ser a Lyanna?


_Exato, não sei o que o jonh vê de graça em andar com vocês mas devo admitir que achar um guitarrista essa hora vai ser improvavél, certo hoje você toca com a gente.


Ela sai do camarim e vai chamar o baterista, aparentemente a banda consiste em três pessoas, Lyanna, baixista e vocal, Brandon, baterista e Robert, ex guitarrista e unico humano do trio. Quando Brandon chega e me vê logo abre um sorriso e fala:
_Você é a famosa gangrel russa não é?


_Você conhece ela irmão?_pergunta Lyanna.


_Não lembra do garou preso pelos tremere?O Remus? _ respondeu Brandon.


_Sim, esses cainitas estavam fazendo experimentos nele.


_Pois ela resgatou nosso amigo dos tremere, ela convenceu o Jonh a salvar o refem antes de atacar o lugar e soube que ela teve participação na morte do responsável, Caitlyn não é?
_Sou eu mesma_ respondi na lingua deles, ambos garou então nada melhor que praticar um pouco desse idioma tão interessante, percebi que não esperavam que eu falasse a lingua deles.


_Uou_exclamou Brandon_ isso foi inesperado, aonde uma gangrel aprendeu a ligua dos filhos de gaia?


_Na russia, onde mais? e ai? vamos tocar?





Um arrepio de felicidade sobe ao ver o respeito nos belos olhos de Lyanna, aparentemente ela não esperava que o garou perdido tinha sido salvo por uma cainita e nem que a mesma cainita soubesse o idioma dela, agora mais que nunca eu queria tocar maravilhosamente bem só pra calar de vez a agressividade dela.

Chegou a hora de tocar, instrumentos arrumados, publico já impaciente, eu olho pra Lyanna e ela me fala "Bad Reputation", logo Brandon começa a contagem... 1... 2... 1, 2, 3.. e a musica começa, a energia é sentida no ar, as pessoas vibram e gritam, logo que ela vai chegando ao fim eu olho pra baixista e sem falar uma palavra começo o riff de "cherry bomb", eles entendem e a passagem entre as músicas é recebida pelo público com animação. Logo após o ultimo grito de Lyanna eu inicio "Smoke on the water" e vejo um sorriso no rosto de Brandon, essa devia ser uma das favoritas dele.

Quando a musica se aproxima do fim Laynna me olha com curiosidade, percebo que ela quer ver qual será a próxima escolha que a convidada vai fazer no show, não seguro o sorriso e inicio "Everlong" e dessa vez ela que abre um sorriso, com um gesto rápido Brandon aponta pra si e eu entendo que ele quer escolher a próxima e aceno com a cabeça enquanto reparo em Lyanna, olhos fechados e cantando mais pra si que para o público.

Logo que a ultima nota é sustentada na guitarra Brandon inicia "Always" e dessa vez eu canto junto de Lyanna no mesmo microfone, o cheiro dela invade meu corpo e as bocas próximas me fazem esquecer que estamos num palco, tudo é apenas nós três tocando, deixando a música falar por nós.

Eu olho pra ela e ela faz um sinal com a mão, o tom da próxima música, ela me surpreendeu com "whole lotta love" vi seu sorriso ao perceber o quanto eu gostava da escolha e ela cantou toda a música olhando para mim, ora no fundo dos meus olhos, ora olhando para meu corpo como uma brincadeira me provocando para arrancar emoções do público. A potência da voz de Lyanna incendiou o local, em tanto tempo como guitarrista nunca tinha participado de algo assim.

Ao final o publico aplaudiu enquanto Brandon limpava o suor e Lyanna recuperava o folego, claro que dada a minha condição cainita eu não era capaz de suar ou ficar sem ar. Agradecemos os aplausos e fomos pro camarim.

_O que foi esse show? _ perguntou Brandon eufórico.

_Bom não combinamos nenhum repertório então achei que deveriamos improvisar._respondi.

_Foi animal! Talvez você esteja livre na sexta? Temos um lual...

_Não se empolgue maninho, você sabe que ela pode não ser bem vinda no lual, nem todos os garou gostam de sanguessugas. Ela pode acabar morta._interrompeu Lyanna.

_Minha sexta está livre, qual é o lance do lual?

_Desculpe Caitlyn..._começou Brandon.

_Cait, só Cait ok.

_Certo Cait, o lual vai ser numa clareira e teremos muitos filhos de Gaia por perto, seria muito perigoso se você aparecesse sem autorização.

_Interessante _respondi _ Vai ser um lual lupino mas por um acaso o lider da matilha seria o Jonh?

_Sim é uma festa do meu meio-irmão Jonh, ele quer celebrar a recuperação de Remus depois que ele foi resgatado, como pode ver seria tolice se você fosse._respondeu Lyanna.

_Bom se eu conseguir o convite então poderíamos tocar?

_Seria incrível se conseguisse_ respondeu Brandon

_Seria suicídio você aparecer.. mas se conseguisse eu ficaria muito impressionada e consideraria sua entrada pra banda.

Um desafio, sim o olhar dizia isso, se eu quisesse estar perto dela teria que fazer algo impossível como ir ao lual, algo perigoso, proibido.. Se ela soubesse o quanto isso me atraiu.

_Nos vemos sexta então_respondi e sai com minha guitarra.

Esqueci da sede que sentia, deixei o bar com minhas armas, liguei o carro e dirigi seguindo as estrelas, cheguei em um local afastado, uma pequena colina e me deitei olhando a lua, me transformei em raposa e corri pelo campo farejando e caçando. Encontrei um casal de namorados deitados em um colchonete e adormecidos enrolados num cobertor, me aproximei lentamente, destransformo e mordo o pescoço da menina, sangue quente, sinto a adrenalina que corre nas veias após a entrega para o prazer, não bebo muito, só o suficiente para que ela tenha um ressaca no outro dia, depois bebo do rapaz também, sinto o desejo dele por ela, sim eles estão apaixonados e na manhã seguinte teriam problemas em acordar cedo, talvez só após o meio dia.

Após a refeição me transformo em coruja e vigio o casal, não quero que nada ruim aconteça com eles, aproveito que posso voar e caço algumas lebres para completar a refeição e esperar a aurora chegar, logo estou satisfeita e volto para meu carro, de lá dirijo para minha casa onde me deito para um sono, sonho com Lyanna rindo e correndo, selvagem, livre. Sonhos são algo muito raro para os vampiros mas devem ser efeito do sangue de dois jovens enamorados cheios de hormônio.

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