sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Caçada noturna

O sol se põe e junto com a noite vem os medos mais antigos da humanidade, lendas e mitos que dão forma a medos profundos existentes no subconsciente humano, minha nova existência é, sem sombra de dúvidas, um dos motivos desse medo. Sou o que as pessoas chamam de vampiro, entre nós somos conhecidos como cainitas, filhos do irmão assassino cuja história está, de forma bem leviana, retratada no livro sagrado cristão.

Acordo do meu sono, um dia atípico pois sonhei, após minha transformação os sonhos vinham em forma de pesadelo me lembrando da morte de meus pais e mantendo a chama da vingança acesa mas pela primeira vez em décadas eu sonhei algo belo, um bosque na russia onde costumava correr e lá uma pessoa, não sei se o termo "pessoa" se aplica a ela, corria comigo, dançamos entre as árvores e cantamos para a lua cheia, eu e Lyanna.

Acho que devo morder mais casais apaixonados, com certeza o sangue saturado de hormonios me deu um sonho tão diferente. Levantar é fácil quando um tigre de quase 200 quilos está lambendo o seu rosto, ele tem fome e eu dou o que ele quer. Graças aos poderes do meu clã eu consigo falar com ele apesar de ser uma comunicação bem rustica conseguimos nos entender bem. Rajar é um tigre de bengala, como ele foi trazido da Índia é um mistério para mim mas ele se demonstra feliz aqui, penso que devemos sair pra caçar juntos essa noite pois não posso negligenciá-lo.


Vou até o quintal e começo minha meditação, o sonho que tive deixa essa tarefa bem difícil, sinto a mente sempre fugindo pra se refugiar nos bosques, lembro que devo conseguir aval pro lual lupino, lembro das músicas, mas o motivo da meditação, disse mestre Shunsui, é justamente manter a mente no agora, no presente e assim fortalecer o espírito.

Quando termino chamo por Rajar, quero que ele me acompanhe ao campo de caça, local onde meu clã se reúne, resolvo que vamos caminhando afinal não é longe e Rajar deve gostar de conhecer novas paisagens, vejo que ele demonstra um interesse por bois, então caçamos. A velocidade com que ele mata é impressionante, realmente um grande predador da natureza, aproveito e bebo do bovino enquanto Rajar come.

Após a refeição vamos até o campo de caça e quando eu entro lá o efeito é melhor que o esperado, no meu clã os feitos pessoais valem mais que o poder politico ou conhecimento, por vezes até mais que muitos séculos de vida, afinal de que vale a eternidade sem histórias pra se contar? Rajar chama a atenção e os olhares curiosos então em toda parte. Anna se aproxima e me abraça, eu sei o que ela quer, então mordo minha língua e deixo o sangue escorrer para dentro de sua boca num beijo longo. Eu imaginava que ela ia me odiar quando entendesse o que fiz a ela, mesmo sendo um caso de auto-preservação criar um laço de sangue por vezes causa uma raiva do vassalo para com o suserano mas ela parece não se importar, talvez o fato de eu não ficar obrigando ela a fazer coisas pra mim ajude de alguma forma.

Logo vejo o olhar acusador de Jonh, ele se aproxima, esse líder de uma das matilhas de lupinos convive bem em meio ao meu clã aqui em Londres, algo bem atípico mas não raro, dizem que temos um mesmo ancestral em comum, os gangrel e os garou.

_Isso é uma atrocidade sabia? fazer algo assim com o pobre animal!_disse Jonh num tom ríspido, quase com fúria nos olhos.

_Era isso ou deixar ele morrer dos ferimentos que os tremere fizeram nele, não quis deixar Rajar morrer então dei a ele a única coisa que tinha capaz de curá-lo, meu sangue.

_Mas você podia ter parado de dar a ele depois da primeira noite.

_E fazer o que? abandoná-lo num país estranho pra ser caçado e aprisionado ou morto? Não, Rajar merece mais que isso então dou minha força pra ele. Ele não é meu escravo é meu parceiro.

_Difícil acreditar em suas palavras mas a forma como ele olha pra mim, parece que farejou minha raiva e quer te defender.

_Ele cuida de mim, pediu por isso, para ficar comigo então eu aceitei, e como está o companheiro de cela dele? Remus?

_Está recuperado, ele soube o que você fez por ele e é grato mas teme chegar muito perto dos...

_De nós cainitas, ele tem certa rasão, nem todos os cainitas e garou conseguem por de lado o instinto e tentar conviver, mas gostaria de encontra-lo, apresentar o Rajar pra ele, mesmo sabendo que seria tolice procurar por um garou no meio da matilha.

_Muita tolice, algo como invadir uma instalação tremere pra salvar um "lupino", ou mesmo argumentar contra uma batalha sangrenta evitando mortes, inclusive seria uma tolice como enfrentar um primógeno tremere pra tirar alguns experimentos deles. Quem seria capaz de coisas tão imprudentes?

Ironia... Ele sabe, talvez até de mais, o que aconteceu.

_Eu não tive nada a ver com a morte de Blade_menti.

_Sim eu sei_ e ele piscou pra mim, como ele poderia saber de algo assim? A menos que naquela noite eu estivesse sendo vigiada pelos filhos de gaia, para que eles se certificassem de que eu não tinha tramado contra eles.

Tentei ler a face de Jonh antes de responder mas nunca fui boa em cinismos ou manipulações.

_Sabemos o que você fez e o que não fez, pode ficar tranquila que seu segredo está bem guardado.

Teria sido uma ameaça de Jonh? Não soou como uma mas...

_Sua face ficou pesada, bom soube que você conheceu meus meio-irmãos? Tocaram juntos ontem a noite? Brandon não falou de outra coisa até Lyanna falou bem de você o que é estranho, dada a aversão dela por sang... cainitas. Inclusive meu irmãozinho me fez uma pergunta bem estranha.

_Sobre eu ir a festa de boas vindas do Remus?

_Isso, bom aparentemente Remos quer te conhecer e acho justo você receber um convite pra festa, claro que é extremamente perigoso mesmo com um convite formal então te deixo convidar mais dois "amigos", escolha bem pois não me responsabilizo por retaliações dos outros garou.

_É muita generosidade sua.

_Não, você mereceu o convite, é uma cainita muito estranha Caitlyn.

Meu celular tocou, Mitras, claro o que mais eu esperava? Dois dias tranquilos seguidos em Londres? Jamais, o provável é que os problemas que não tive ontem se encontraram com os de hoje e estão me esperando.

_Preciso atender.

_E eu preciso ir, tenho um show no triplo sangue, e espera que minha banda consiga apagar a impressão da banda dos meus irmãos. Até amanhã, nos encontramos aqui.

_Com certeza. Anna! Você pode cuidar do Rajar por mim?

_E você meu amigo_ disse olhando nos olhos do tigre_ se comporta que volto pra te levar pra casa.

Me afastei, atendi ao celular. Sim era exatamente isso, um membro sabá que teria a informação das outras bases do movimento escapou dos Nosferatus e rumou em minha direção, é hora de caçar.

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